Pesquisa  "ENGENHOS E FAZENDAS DO SUBÚRBIO CARIOCA"


Casa de Fazenda do Capão do Bispo, Del Castilho-Agosto, 2010-acervo Clarindo

Prezados amigos, moradores e apaixonados pelos Subúrbios da Cidade do Rio de Janeiro.

O GRUPO DE PESQUISA DO SUBÚRBIO CARIOCA (GPSC), composto pelos pesquisadores e professores MAURÍCIO THOMAZ (Irajá), JORGE FURMAN (Madureira), PAULO CLARINDO (São João de Meriti), CARLOS MEDA (Madureira) e JUBER DECCO (Maria da Graça), desenvolve uma pesquisa de mapeamento e identificação dos engenhos e fazendas que existiram entre os séculos XVII e XIX nos Subúrbios do RJ, mais precisamente nas outroras freguesias de N. S. da Apresentação do Irajá e São Tiago de Inhaúma.

Se alguém puder colaborar com alguma informação sobre o assunto, por favor, entre em contato conosco pelos e-mail' s abaixo:

professorcla@hotmail.com;

mauriciolozano@oi.com.br;

cartfbj@yahoo.com.br;

jorgefurman@gmail.com;



Cordialmente,

Paulo CLARINDO

GRUPO DE PESQUISA DO SUBÚRBIO CARIOCA

(21) 2333-1390 ou 9765-6038

professorcla@hotmail.com







Prezados.







Com relação ao convite do lançamento do livro do professor Guilherme Peres (PERFIS MERITIENSES), informamos que a Igreja Matriz de São João Batista de Meriti fica localizada na Praça Getúlio Vargas (mais conhecida como Praça da Matriz), no Centro de São João de Meriti. O Salão Paroquial fica nos fundos da igreja, junto ao acesso da Unigranrio.





Cordialmente,






CLARINDO


Amigos do Patrimônio Cultural


www.amigosdopatrimoniocultural.blogspot.com


(21) 9765-6038 ou 2333-1390
Prezados amigos.

C O N V I D A M O S    vocês para o lançamento do livro "PERFIS MERITIENSES", de autoria do professor GUILHERME PERES, pesquisador do IPAHB e associado ao AMIGOS DO PATRIMÔNIO CULTURAL.

PÊNIS DE PEDRA (Itaconha) - DEDO DE DEUS - SERRA DOS ÓRGÃOS (Ibiticonha)

Frederico Fernandes Pereira*






A “Serra dos Órgãos”, trecho da cordilheira marítima (Serra do Mar), entre os municípios de Teresópolis e Magé (hoje Guapimirim), tem tal denominação, pela sua aparente semelhança (forçada) do perfil dos seus pináculos, de diferentes alturas, que se assemelham ao órgão, instrumento musical de sopro (foles), com seus tubos sonoros de diversos tamanhos. Teima-se, sem motivo histórico-cultural justificado, salvo por pudicícia, hoje fora de moda, em manter-se tão apressada e grosseira similitude, com àquela imagem serrana.

Tem o presente estudo, o propósito de contestar tão consagrada e improcedente definição do topônimo “Serra dos Órgãos”.

No passado houve quem aventasse a hipótese do nome “Serra dos Órgãos” decorrer da forma do “Dedo de Deus”, um dos pináculos da mesma serra, por assemelhar-se, com perfeição, aos órgãos genitais do homem, incluindo o pênis ereto, com sua destacada glande e os testículos. Mas, tal hipótese não veio acompanhada de qualquer justificativa, inclusive, e principalmente, histórica. Daí, não ter sido considerada, quando aventada. No entanto, em que pese tal versão, daquela imagem topográfica, não ter ido além de uma hipótese, ela é provadamente procedente. Recorrendo à fecunda cultura indígena Tupi, identificamos um rio mageense, que nasce ao pé do “Dedo de Deus”, em sua face Leste, cujo nome Tupi é “ICONHA”, que é atravessado pela Estrada Rio – Teresópolis (BR-116); afluente, dito rio, da margem esquerda do Rio Guapiassú. “ICONHA” é um vocábulo Tupi, formado pelas raízes “i” = água ou rio e “CONHA”, que significa pênis. Assim, temos: Rio do Pênis ou rio que nasce no pênis de pedra (ITACONHA). O trecho superior do Rio Iconha, atravessado pela BR-116, é conhecido, também, como Rio Garrafão, cerca de 1.700 metros antes do Alto do Soberbo, de quem sobe a serra.

O Rio Garrafão (ou Iconha) foi teatro do famoso e pitoresco episódio histórico, que se deu quando da visita do Imperador Pedro II à Teresópolis, em janeiro de 1876, que, ao parar na travessia do dito rio, quis provar a tão decantada água do mesmo, preferindo, na ocasião, utilizar-se da folha larga do inhame, por ser mais natural. Porém, lá estava esperando a passagem do Imperador, o vendeiro português do local, o João Garrafão, que, tirando de dentro de uma caixa forrada de veludo, um fino copo de cristal cinzelado, passando-o às mãos do Imperador, rogando que seria uma honra para ele (o João Garrafão), que S. M. Imperial se servisse de tal copo. O Imperador, tolerante, atendendo a súplica espontânea e simples do João Garrafão, bebeu com vagar, no ofertado copo, elogiando a delícia dàquela água, e, querendo, em seguida, passar o copo as outras pessoas de seu séquito, interveio o João Garrafão, dizendo: “Peço perdão a V. M., neste copo ninguém mais beberá, para as demais pessoas presentes, que eu muito respeito e das quais sou servidor obediente, tenho outros copos” (Gilberto Ferrez – Colonização de Teresópolis – 1970).

Significando dizer que, o Imperador deliciou-se com o precioso líquido emanado do pênis de pedra...

O pináculo “Dedo de Deus”, é a marca identificadora da turística e amena cidade de Teresópolis, no entanto, sempre esteve situado no Município de Magé (atualmente em Guapimirim). Significando dizer, que o símbolo daquela agradável cidade, é o petro-falo mageense...

Há no Estado do Espírito Santo um município e rio com o nome de “ICONHA”. Este autor, em visita àquela região, ouvindo moradores locais, apurou, que às margens do Rio Iconha, havia uma pedra alta, na forma de um charuto – no dizer dos mesmos moradores – que foi, toda ela (dita pedra), dividida em grandes blocos, pelos mineradores de granitos decorados, para exportação. Naquela região, é intensa e ampla a exploração de citados granitos, destruindo e deformando a natureza regional. Por não ter identificado em citado município (Iconha), outra formação rochosa, de forma aguda, que pudesse assemelhar-se ao pênis, consoante a imagem metafórica dos índios primitivos, admite este autor, que o nome local (Rio e Município = Iconha), fosse inspirado em citada pedra demolida e fracionada pelos vândalos mineradores.

No “DICIONÁRIO GEOGRÁFICO DO BRASIL”, de Alfredo Moreira Pinto, de 1896, há o verbete “RIO ICONHA”, que estaria situado em Cananéia, no Estado de São Paulo. Este autor consultou diversos mapas daquele Estado, não logrando identificar referido rio dicionarizado. No Município de Jacupiranga, ao Norte de Cananéia, há um rio e um lugar com o nome de “Canha”, nome este que tem relação com erosões topográficas ou bebida alcoólica.

Na “REVISTA TRIMENSAL DO INSTITUTO HISTÓRICO GEOGRAPHICO E ETHNOGRAFICO DO BRASIL”, Tomo XLV – Parte I, de 1882, em estudo geográfico e econômico do Sul do Estado de Minas Gerais, o autor, José Franklin da Silva, ao descrever um dos ramos da “Serra da Mantiqueira”, diz à página 407: “Um outro ângulo forma a Mantiqueira em São Bento, afastado 15o do Sul do “pico dos órgãos em Itajubá”. Adiante (página 408) diz: “A Mantiqueira entre Órgãos e Itatiaia...”; nas páginas 409 a 411, registra as alturas (altitudes) dos pontos mais elevados do Sul de Minas Gerais, entre os quais, o “PICO DOS ÓRGÃOS”, com 10.950 palmos de altitude.

No TOMO XLVII, Parte II, da “REVISTA” acima citada, de 1884, foi publicado um estudo do geólogo José Franklin da Silva Massena, que trata da ossatura das montanhas que compõem o “Sistema Mantiqueira”, em Minas Gerais, inclusive a “Serra do Mar”, em São Paulo e Rio de Janeiro, à partir do “Pico do Itatiaia”. O referido estudo foi executado pelo citado geólogo em 1867. À página 273, no último parágrafo, diz o autor: “A Serra dos Mairinks, DANDO ORIGEM AO PICO DE FÓRMA DE UM ÓRGÃO...” (grifo nosso). Observe-se, trata-se de um só pico isolado, sem outros pináculos, como os “Órgãos” de Teresópolis.

No Estado de São Paulo, no Município de Bofete, ao Sul do Município de Botucatu, há o “Morro dos Órgãos” e “Ribeirão dos Órgãos”. Tais topônimos justificam-se, por lá existirem pináculos que lembram os órgãos genitais masculinos, em ereção, conforme a visão dos índios, à exemplo dos “ÓRGÃOS” de Teresópolis.

Na rica e reveladora obra “NOTÍCIA DO BRASIL”, de Gabriel Soares de Sousa, minuciosa autópsia do Brasil, dos primeiros quartéis da sua Era Colonial, editada em 1587, cujo autor foi considerado pelo mestre Capistrano de Abreu, “como a enciclopédia viva do nosso século XVI” (Os Caminhos Antigos e o Povoamento do Brasil), em seu Capítulo XXXIII, há a notícia de uma expedição dos bandeirantes baianos, chefiada por Sebastião Fernandes Tourinho, que era aparentado com o Capitão-Mor da Capitania de Porto Seguro, que, internou-se nos atuais territórios baianos e mineiros, tendo chegado (dita expedição) a um ponto do qual, teriam avistado a “Serra dos Órgãos do Rio de Janeiro”. Referida notícia foi posta em dúvida pelo Capistrano de Abreu, isto é, de terem aludidos bandeirantes baianos, avistado àquela serra fluminense. O propósito deste episódio histórico, foi mostrar a antiguidade toponímica da expressão “Serra dos Órgãos”.

Os índios antigos, com seus hábitos e vivência de seres permanentemente pelados, do nascimento à morte; homens, mulheres, crianças, jovens e velhos; todos expostos nus, na convivência familiar e social. Em todas as posturas: em pé, sentado, acocorado, deitado em qualquer posição do corpo. Suas partes pudendas à mostra, à todo momento, com seus detalhes anatômicos. Com semelhante cenário social, explica-se o que escreveu o padre José de Anchieta, em carta de maio de 1560 (“Informações, Fragmentos Históricos e Sermões”- Págs. 115/16 – Editora Itatiaia), informando sobre costumes dos índios, “.... pois os Brasis não costumam usar de rodeio algum de palavras, para explicar as cousas que .... são ditas sem ofensa alguma: pelo contrário, pronunciam claramente, sem nenhum vexame, as palavras que significam os órgãos secretos de um e outro sexo, a cohabitação e outras da mesma natureza”.

Pela mesma razão, da visão constante dos seus corpos nus, por analogia de forma, muitos aspectos de coisas da natureza, despertavam a atenção dos índios, que, por visão metafórica, segundo a original classificação dos topônimos, estabelecida pelo sábio brasileiro do passado, Everardo Adolpho Backheuser (Va Reunião Anual da Associação dos Geógrafos Brasileiros), denominavam (os índios) tais coisas da natureza, repita-se, por suas semelhanças com seus órgãos genitais e corpóreos. Tomemos alguns exemplos. No Estado da Paraíba há a conhecida e famosa Praia de Tambaú. Trata-se de palavra Tupi, formada por duas raízes vocabulares: “tamba” = vagina e “una” = coisa preta ou escura. Significando: vagina preta ou escura. Isto porque, havia ou há, ainda, no barranco (falésia) da terra alta junto à referida praia, alguma fenda estreita, que vista do mar, assemelha-se a uma vagina depilada, com seus grandes lábios, como era de uso pelas índias, no dizer do Pero Vaz de Caminha, em sua carta ao Rei D. Manoel I. Um segundo exemplo. Há uma espécie de vespa (marimbondo), que tem o nome de “Tambacaba”, também vocábulo Tupi, formado pelas raízes “tamba” (vagina) e “caba” = nome genérico Tupi dos marimbondos. Referida denominação, decorre, na visão do índio, da semelhança que a entrada do ninho ou casa da dita vespa, tem, perfeitamente com a vagina depilada das índias. Em terceiro exemplo, temos outra espécie de marimbondo, de nome Tupi “Tapiácaba”, igualmente constituído de duas raízes vocabulares: “tapia” = testículos, escrôto e “caba” = marimbondo. Assim foi denominada dita vespa, pela semelhança que seu ninho tem com o escrôto humano. Vamos a outro exemplo. A RIHGB, TOMO 104, de 1929, publicou a obra do Conde Ermano Stradelli “Vocabulários Portuguez-Nheengatú X Nheengatú-Portuguez”, que, na página 655, registra o nome do marimbondo (vespa) “Tacunha-cáua”. “Cáua” é prosódia do Tupi amazônico, o mesmo que “caba” (vespa). “Tacunha-cáua”, é uma casta de marimbondo, cujo ninho (casa), assemelha-se ao membro viril do homem, segundo referida obra do citado Conde.

Como se sabe, quando da formação da primeira cidade do Brasil, São Vicente (SP), pelo fidalgo português Martim Afonso de Souza, foi ele, muito favorecido, sem luta com os índios locais, pela presença ali, há muitos anos, do português João Ramalho, que tinha como mulher, uma filha do poderoso Tuchauá (Cacique) “Tebiriçá”, que dominava a região, inclusive o planalto (Piratininga). Pois bem, “Tebiriçá” é um apelido (nome) Tupi, formado por dois substantivos: “Tebi” = bunda e “Içá” = tanajura, que é a fêmea da formiga saúba (saúva), com seu gordo abdome, túmido de ovos fecundados, para a formação de outro formigueiro. Significando dizer, que, o grande e temido cacique era dotado de destacada bunda gorda. Daí o nome que recebeu, na forma daquela visão libertina e metafórica dos índios antigos. Resumindo, o poderoso cacique paulista, tinha o nome de “BUNDA GORDA”.

Apesar da convivência que os índios passaram a ter com os brancos, observando e assimilando os hábitos e costumes dos mesmos, isto não foi o bastante para fazê-los esquecer suas próprias visões e interpretações das manifestações culturais e novidades trazidas pelos civilizados. Por isso que, os índios, freqüentando e observando as igrejas católicas, erguidas pelos colonos conquistadores, traduzindo suas expressões licenciosas, deram ao badalo dos sinos de ditas igrejas, o nome de “Tamaracá-raconha” (no segundo termo, o “R” tem pronúncia branda – lingual-dental – segundo a prosódia Tupi), como vemos no TOMO LIV da RIHGB – Parte I – “Poranduba Maranhense” – Pág. 267, de frei Francisco de N. S. dos Prazeres. Isto é, àquela permanente sem cerimônia com seus corpos nus, sugestionaram os índios a compararem o badalo do sino, com seus pênis intumescidos.

À propósito, isto é, para mais realçar as impressões e definições dos índios sobre coisas e pessoas, lembremos de um apodo sobre certas pessoas, que sempre causou curiosidade. Como se sabe, em todo o vasto território brasileiro, em todos os tempos, o homossexual masculino recebe a alcunha de veado; denominação que sempre despertou curiosidade quanto à sua origem. Pois bem, foi o índio o autor de aludida alcunha, que foi adotada pelos colonizadores. O veado, o ruminante, ao caminhar, cruza as patas traseiras, provocando o rebolado de suas ancas. O índio, arguto e calmo observador, com àquela sua natural e indiscreta visão licenciosa, viu semelhança do andar do homossexual, com o caminhar rebolativo do veado. Daí, nasceu a alcunha “abá-soó”, que se traduz por: “aba” = homem e “soó” = veado, isto é, o homem que rebola como o veado. O padre jesuíta A. Lemos Barbosa, em sua original e fecunda gramática “CURSO DE TUPI ANTIGO”, de 1956 (2a tiragem), nas Lições 23a e 60a, páginas 142 e 401, respectivamente, limita-se em traduzir o substantivo aposto “abá-soó”, como “homem-bicho”. Assim faz, no entanto, como exemplo gramatical do substantivo aposto, que modifica outro substantivo, como “complemento atributivo”. Vê-se, sem dificuldade, que o citado gramático, tergiversou, premido pelo seu arraigado pudor, postura própria dos jesuítas, evitando definir a razão da alcunha ao índio homossexual.

O nome “Serra dos Órgãos” e seus derivados, em diversas regiões brasileiras, como aqui comentamos, para designarem àqueles pináculos de pedra, que despertavam nos índios visões e imagens sexuais ou eróticas, traduzem a envergonhada repugnância dos antigos cronistas do Brasil, principalmente os jesuítas, por suas costumeiras posturas pudicas, como dissemos no início deste estudo. Daí, ditos cronistas históricos, optarem pela expressão “Órgãos”, como substituição dos nomes libertinos Tupis.


Frederico Fernandes Pereira, 84 anos, Engenheiro Agrimensor,residente em Nova Iguaçu- RJ, estudioso da cultura e da língua Tupi. Este artigo publicado no jornal “Correio da Lavoura” em 4 de junho de 2011.






CURSO DE HISTÓRIA DA BAIXADA FLUMINENSE
CENTRO DE MEMÓRIA ORAL DA BAIXADA FLUMINENSE - CEMOBA

Aula de Campo O PATRIMÔNIO HISTÓRICO, sábado, dia 25 de junho de 2011

Itinerário percorrido: Ruínas da Fazenda São Bernardino, Iguaçu Velha e Estação Ferroviária de Tinguá.


















“De Merity a Duque de Caxias: Encontro com a História da Cidade.”


Professores Tania Amaro e Augusto Braz lançam livro sobre Duque de Caxias


Shirley Costa e SilvaA- A A+
08 de Junho de 2011 - 02:35




www.baixadafacil.com.br


A professora e diretora do Instituto Histórico da Câmara Municipal de Duque de Caxias, Tania Amaro, e o historiador e professor Augusto Braz lançaram nesta terça-feira (07/06) o livro “De Merity a Duque de Caxias: Encontro com a História da Cidade.” A obra, que é fruto de quase dois anos de trabalho, apresenta a história do município desde o processo de ocupação de seu território, no século XVI. A análise concentra-se na experiência de seus moradores mais simples e na luta diária pela construção de suas vidas, famílias e bairros.

O livro pode ser adquirido na Associação dos Amigos do Instituto Histórico, que fica no subsolo da Câmara de Duque de Caxias ou na Livraria Itatiaia (Unigranrio Shopping).

O lançamento aconteceu durante a abertura da mostra "Núcleo do Migrante Nordestino da Vila Rosário", que pode ser visitada de segunda à sexta-feira, das 09h às 17h.



Preservação do Patrimônio Cultural do Café na Região Sudeste do Brasil
Fazenda de Santo Antonio de Olaria. Cópia do palácio do Podestá de Bréscia, uma das muitas residências do Comendador Joaquim Breves. Demolida para a construção da represa de Ribeirão das Lages - Light. São João Marcos -1927-www.brevescafe.oi.com.br.



Rio de Janeiro, 20 de maio de 2011
Ilmª Srª
Olga Campista
Subsecretária de Relações Institucionais/SEC
Secretária de Estado de Cultura do Rio de Janeiro


Senhora Subsecretária.


Cumpre-me a satisfação de levar ao conhecimento de V. Sa. a proposta do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional – IPHAN, através da Portaria nº 165, de 04/05/2011, da criação de um Grupo de Trabalho Interinstitucional que deverá promover ações em auxílio àquele órgão federal na salvaguarda e valorização “dos bens culturais vinculados ao processo econômico do café entre os séculos XIX e XX na região Sudeste”.
É oportuno esclarecer que a rubiácea teve seus primórdios na Cidade do Rio de Janeiro, quando aqui chegaram em 1760 ou 1762 as primeiras mudas trazidas pelo Desembargador João Alberto de Castelo Branco. Em pouco tempo, nos arredores da cidade produzia-se café de forma considerável. Pode-se dizer com segurança que o Rio de Janeiro foi o celeiro dessa cultura, com suas mudas sendo irradiadas para outras áreas – Zona Oeste carioca, Baixada Fluminense, municípios de São Gonçalo, Itaboraí, Silva Jardim, Casimiro de Abreu, entre outros -, até chegarem ao Vale do Paraíba fluminense, onde se adaptaram às condições do solo e do clima, rendendo vultosas produções. Aliás, praticamente em todo o interior fluminense plantava-se café. De tão importante que foi essa cultura na antiga Província do Estado do Rio de Janeiro, que a Real Junta de Comércio, na primeira metade do século XIX, determinou a construção de uma estrada destinada a escoar a produção cafeeira do Vale do Paraíba e de Minas Gerais, que ficou conhecida por Estrada do Comércio, que ligaria Ubá, na Província de Minas Gerais, ao Porto da Freguesia de N. S. da Piedade de Iguassu, na Baixada Fluminense. Foi concluída em 1822, passando pela Serra do Tinguá, onde está situada a Reserva Biológica do Tinguá. Seu calçamento ainda está intacto no interior da daquela unidade de conservação e ainda pode ser visto em alguns trechos da região. Além disto, encontra-se tombada pelo Estado (INEPAC).

Na época da cultura cafeeira, a Estrada do Comércio foi tão importante econômicamente para a província que a Freguesia de Nossa Senhora da Piedade de Iguassu prosperaria a ponto de ser elevada à Vila de Iguassu, aos 16 de janeiro de 1833, e, anos posteriores, seria considerada pela Presidência da Província “a mais opulenta das vilas fluminenses”. Caminhando neste sentido, o professor e pesquisador Antônio Lacerda é categórico ao afirmar que embora Iguassu não tenha produzido café em larga escala, muito prosperou com o transporte e o armazenamento do mesmo. Prova disso fora a presença constante dos seus homens de negócios nas edições do Almanak Laemmert, entre eles, os fazendeiros e comerciantes Antônio José Soares (o Comendador Soares), o Comendador Bernardino José de Souza Mello (proprietário da Fazenda São Bernardino), Pedro Dias Pais Leme da Câmara (Marquês de são João Marcos), o 2º Barão do Tinguá (Francisco Pinto Duarte), o Barão do Guandu (Inácio Antônio de Sousa Amaral), entre outros.
Comendador Joaquim José de Souza Breves, o "Rei do Café" no Brasil Imperial. Coleção IHGB - (1804-1889). www.brevescafe.oi.com.br


Retornando à questão dos objetivos do Grupo de Trabalho Interinstitucional a respeito do patrimônio cultural do café, é importante destacar que há bem pouco tempo o Estado do Rio de Janeiro, de certa forma, contribuiu para esse estudo com a realização pelo Instituto Estadual do Patrimônio Cultural – INEPAC, em parceria com o SEBRAE-RJ, do projeto denominado “Inventário dos Caminhos Singulares do Estado do Rio de Janeiro”, contemplando os caminhos do ouro, do açúcar, do café e do sal, quando foram inventariados diversos bens culturais ao longo dos mesmos. Mais recentemente, o INEPAC, em parceria com o Instituto Cultural Cidade Viva (ICCV) e contando com o apoio do Instituto Light, realizou as primeiras etapas do “Inventário das Fazendas do Vale do Paraíba Fluminense”, trabalho que ainda prossegue. Enfim, creio que o citado órgão de patrimônio cultural antecipou-se, sem querer, ao que está sendo proposto pelo IPHAN. Por outro lado, confesso que muito mais poderá ser feito no âmbito do Estado do Rio de Janeiro para que a aludida resolução federal alcance os seus objetivos. Este, portanto, é o meu pensamento mais sincero.
Na oportunidade, queira receber os meus mais cordiais cumprimentos.

Cordialmente,

Paulo Clarindo
AMIGOS DO PATRIMÔNIO CULTURAL


[meioambientecultural] Iphan quer preservar o patrimônio cultural do café



De: Marcos Miranda

Data: 12 de maio de 2011 09:59

Assunto: [meioambientecultural] Iphan quer preservar o patrimônio cultural do café



Iphan quer preservar o patrimônio cultural do café

Roseli Ribeiro - 11/05/11 - 23:36

O Iphan (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional) quer criar medidas para preservar o patrimônio cultural do café na região sudeste do País, para a missão instituiu um grupo de trabalho conforme a Portaria nº 165 publicada no DOU (Diário Oficial da União) em 06/05.

De acordo com o texto, o café produzido entre meados do século XIX e final do XX em São Paulo, Minas Gerais, Rio de Janeiro e Espírito Santo foi um marco na história econômica e social brasileira, refletindo-se em todo o processo de estruturação e urbanização da região sudeste, e que a preservação dos remanescentes materiais associados a este processo econômico têm importância nacional como patrimônio cultural brasileiro.
Participaram deste grupo de trabalho pelo menos um representante e um suplente do Departamento do Patrimônio Material e Fiscalização (Depam) do Iphan; das Superintendências Estaduais do Iphan nos estados de São Paulo, de Minas Gerais, do Rio de Janeiro e do Espírito Santo; do Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico, Arqueológico, Artístico e Turístico do Estado de São Paulo (CONDEPHAAT); do Instituto Estadual do Patrimônio Histórico e Artístico de Minas Gerais (IEPHA); do Instituto Estadual do Patrimônio Cultural do Estado do Rio de Janeiro (INEPAC); da Subsecretaria Estadual de Patrimônio Cultural do Estado do Espírito Santo; da Universidade de São Paulo (USP); da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar); da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp); UNIFESP (Universidade Federal de São Paulo), do Instituto Preservale e da Associação de Fazendas Históricas Paulistas.

Veja a íntegra da Portaria nº 165/2011.

INSTITUTO DO PATRIMÔNIO HISTÓRICO E ARTÍSTICO NACIONAL

PORTARIA nº 165, de 04 de maio de 2011

Cria o Grupo de Trabalho Interinstitucional sobre o Patrimônio Cultural do Café da região sudeste do Brasil.
O PRESIDENTE DO INSTITUTO DO PATRIMÔNIO HISTÓRICO E ARTÍSTICO NACIONAL – Iphan, no uso de suas atribuições que lhe são legalmente conferidas, tendo em vista o disposto no art. 21, V, do Anexo I do Decreto nº 6.844, de 7 de maio de 2009, que dispõe sobre a Estrutura Regimental do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional – Iphan, considerando:
Que o café produzido entre meados do século XIX e final do XX em São Paulo, Minas Gerais, Rio de Janeiro e Espírito Santo foi um marco na história econômica e social brasileira, refletindo-se em todo o processo de estruturação e urbanização da região sudeste, e que a preservação dos remanescentes materiais associados a este processo econômico têm importância nacional como patrimônio cultural brasileiro.
A realização, em agosto de 2010 do primeiro Encontro Técnico sobre o Patrimônio Rural do Café, realizado nas dependências do Museu Paulista, em São Paulo;
Que o evento contou com a participação de técnicos, especialistas e pesquisadores do Iphan, dos órgãos estaduais de preservação do patrimônio cultural e de universidades convidadas, além de membros da sociedade civil organizada, engajados na preservação do patrimônio cultural do café dos estados de Minas Gerais, São Paulo, Espírito Santo e Rio de Janeiro; e
Acatando os encaminhamentos sugeridos pelos participantes ao final do evento resolve:
Art. 1º Criar o Grupo de Trabalho Interinstitucional sobre o patrimônio cultural do café nos Estados de Minas Gerais, São Paulo, Espírito Santo e Rio e Janeiro.

CAPÍTULO I
DISPOSIÇÕES PRELIMINARES

Art. 2º O grupo será formado por pelo menos um representante e um suplente do Departamento do Patrimônio Material e Fiscalização (Depam) do Iphan; das Superintendências Estaduais do Iphan nos estados de São Paulo, de Minas Gerais, do Rio de Janeiro e do Espírito Santo; do Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico, Arqueológico, Artístico e Turístico do Estado de São Paulo (CONDEPHAAT); do Instituto Estadual do Patrimônio Histórico e Artístico de Minas Gerais (IEPHA); do Instituto Estadual do Patrimônio Cultural do Estado do Rio de Janeiro (INEPAC); da Subsecretaria Estadual de Patrimônio Cultural do Estado do Espírito Santo; da Universidade de São Paulo (USP); da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar); da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp); UNIFESP (Universidade Federal de São Paulo), do Instituto Preservale e da Associação de Fazendas Históricas Paulistas.
§1º Os membros das instituições externas ao Iphan integrarão o grupo a partir de convite formalizado pelo Presidente do Iphan.
§2º Os representantes do Depam serão designados pelo respectivo diretor e das superintendências estaduais pelos respectivos superintendentes.
§3º Outros pesquisadores, profissionais, técnicos ou interessados, internos ou externos ao Iphan, poderão ser convidados a integrar ao grupo a qualquer tempo, mediante convite do Presidente do Iphan.
§4º A qualquer tempo, havendo interesse ou necessidade, o grupo poderá solicitar ajuda ou consultoria a especialistas, pesquisadores e técnicos externos ao Grupo de Trabalho, mesmo que extraoficialmente.
§5º O Depam coordenará e acompanhará as atividades desenvolvidas pelo grupo.
§6º As reuniões de trabalho serão acompanhadas por uma secretaria, que se responsabilizará pelas Atas de Reunião de Trabalho e pelos devidos encaminhamentos das mesmas.

CAPÍTULO II
DOS OBJETIVOS

Art. 3º O grupo tem como objetivos:

I – dar subsídios ao Iphan e demais órgãos de preservação do patrimônio cultural, para a proteção, a conservação e a valorização dos bens culturais vinculados ao processo econômico do café entre os séculos XIX e XX na região sudeste.
II – buscar, para cada estado, a melhor estratégia de complementação e continuidade dos inventários, buscando estreitar a parceria entre órgãos de proteção do patrimônio cultural e universidades e ampliar as alternativas de financiamento dos inventários.
III – propor projetos de difusão do conhecimento, através de publicações, dos diversos canais de comunicação e de ações educativas, envolvendo escolas e comunidades locais.
Art. 4º O grupo organizará sua atuação segundo três Eixos de Ação:
I – Eixo 1: Proteção do patrimônio cultural do café.
II – Eixo 2: Investimentos e sustentabilidade econômica dos bens culturais do café.
III – Eixo 3: Produção e difusão do conhecimento.



CAPÍTULO III
DAS ATRIBUIÇÕES

Art. 5º O Iphan e os órgãos estaduais de preservação do patrimônio cultural envidarão todos os esforços, técnicos, logísticos e financeiros, possíveis e/ou necessários, para a consecução das ações de inventário, proteção, conservação e valorização do patrimônio cultural do café.
Art. 6º Os membros das universidades viabilizarão, na medida do possível, recursos técnicos e científicos necessários para a realização, complementação e revisão de estudos e inventários sobre o tema, mantendo as informações e o conhecimento produzido à disposição dos demais membros do grupo e da sociedade.
Art. 7º A sociedade civil organizada, prestará o apoio necessário aos órgãos de preservação e às universidades, viabilizando, sempre que possível, a coleta de informações, vistorias, levantamentos fotográficos, arquitetônicos e acesso às comunidades.
Art. 8º A difusão e socialização do conhecimento produzido pelas ações desenvolvidas pelos participantes do grupo é responsabilidade de todos.
Art. 9º O grupo produzirá plano de trabalho anual e relatórios mensais de monitoramento e acompanhamento das ações propostas.
Art. 10. A participação do Grupo de Trabalho não implicará em pagamento de honorários ou adicional de remuneração aos membros ou eventuais convidados externos.

CAPÍTULO IV
DA VIGÊNCIA E DO AFASTAMENTO

Art. 11. O grupo de trabalho atuará por dois anos, renováveis por mais dois, a partir da data de publicação desta Portaria no D.O.U.
Art. 12. O presente Grupo de Trabalho poderá ser dissolvido, a critério do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional-Iphan, ou de comum acordo entre os seus integrantes, a qualquer tempo.
Art. 13. Qualquer participante poderá deixar o grupo, sem prejuízos para o andamento dos trabalhos, mediante apresentação de justificativa do seu desligamento, a qual integrará os relatórios semestrais.

CAPÍTULO V
DISPOSIÇÕES FINAIS

Art. 14. Esta Portaria entra em vigor na data de sua publicação no Diário Oficial da União.






































O INSTITUTO DE ARQUEOLOGIA BRASILEIRA (IAB) realizou ontem, dia 30 de abril, uma grande festa nas dependências da sua Sede, no Calundu, Belfor Roxo, para comemorar o CINQUENTENÁRIO da instituição. Estiveram presentes na ocasião a Diretoria e o  corpo técnico do instituto, autoridades, diversas personalidades, professores, historiadores, estudantes e moradores do bairro.

Foram entregues diplomas de associados beneméritos a pesquisadores do IAB e a algumas pessoas que contribuíram para o sucesso da instituição e o seu reconhecimento nos cenários estadual e nacional. Durante o evento, foi lançado o livro "O CASTELO (QUE NUNCA FOI) DA MARQUESA DE SANTOS", de autoria dos professores Ondemar Dias Jr. e Jandira Neto.







INSTITUTO DE ARQUEOLOGIA BRASILEIRA - IAB comemora CINQUENTENÁRIO dia 30 de abril de 2011


O INSTITUTO DE ARQUEOLOGIA BRASILEIRA (IAB) comemora no próximo dia 30 de abril, também "DIA DA BAIXADA FLUMINENSE", o seu 50º aniversário, ou seja, meio século de atuação em território nacional e no Exterior. sem sombra de dúvidas, o IAB é uma instituição bastante amadurecida e experiente no que faz.

Parabéns ao IAB pela passagem dos seus lúcidos cinquenta anos de existência e atividades. São os votos do AMIGOS DO PATRIMÔNIO CULTURAL FLUMINENSE.

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CLARINDO
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(21) 9765-6038

Professor Claro Calazans rodrigues e professor Ondemar Dias apresentado as ânforas gregas descobertas na Baía da Guanabara em 1975-Manchete - fev, 1978











F A Z E N D A   D O   B R Á S   D E   P I N A

Precisamos localizar uma pessoa chamada NAIR DO ESPÍRITO SANTO COSTA, que assinou um comentário a respeito da Fazenda do Brás de Pina em nosso blog no dia 23 do corrente. Por favor, entre em contato conosco.

Cordialmente,

Paulo CLARINDO
AMIGOS DO PATRIMÔNIO CULTURAL
amigosdopatrimonio@gmail.com
(21) 2333-1346 ou 2333-1412 ou 9765-6038 ou 2656-9810
F A Z E N D A   D A    B I C A

A T E N Ç Ã O

Precisamos localizar uma pessoa chamada CRISTINA, do Seminário Teológico da Zona Oeste, que postou um comentário no dia 24 do corrente a respeito da FAZENDA DA BICA no nosso blog. Por favor, entre em contato conosco por e-mail ou por telefone.

Cordialmente,

CLARINDO
amigosdopatrimonio@gmail.com
(21) 2333-1346 ou 2333-1412 ou 9765-6038 ou 2656-9810


Prezados Amigos.

Ao efetuarem comentários sobre nossas postagens, solicitamos, por gentileza, que informem seus telefones e e-mail's para posterior contato.

Cordialmente,

Paulo CLARINDO
Amigos do Patrimônio Cultural Fluminense
(21) 9765-6038 ou 2333-1346 ou 2333-1412
Capela, depois, Matriz de N. S. da Piedade de Iguassu


Igreja de N. S. da Piedade de Iguassu-início do Séc. XX-reprodução acervo Victor Antunes



Paulo Clarindo

Amigos do Patrimônio Cultural

Janeiro de 2011




A Igreja Matriz de Nossa Senhora da Piedade de Iguassu, sede da freguesia de mesmo nome, tem sua origem numa ermida levantada no século XVII, antes do ano de 1699, numa propriedade particular. Posteriormente, fora submetida a três reedificações, já como matriz da freguesia, num sítio pouco afastado da primitiva construção, como veremos a seguir.

1ª construção (capela primitiva)


A primitiva capela sob o orago de N. S da Piedade de Iguassu fora erguida antes do ano de 1699 em terras pertencentes ao alferes José Dias de Araújo.


2ª construção (1ª reedificação)


Arruinada a capela primitiva, Monsenhor Pizarro nos conta que o povo resolveu reedificá-la, porém, “...em um lugar um pouco distante da primeira e em terras do mesmo dito alferes e já de Diogo Dias de Araújo, filho daquele...” . Esta nova capela fora feita de pau a pique.


3ª construção (2ª reedificação)


Esta, que representa a 2ª reedificação do templo, fora executada com a capela-mor em pedra e cal, entre os anos de 1764 e 1766, mas com as paredes ainda de pau a pique.

Monsenhor Pizarro relata uma intervenção na igreja, quando “...chegaram as suas paredes, também de pedra e cal, até a altura de mais de uma braça fora dos alicerces...”

Antes de tratarmos da 4ª e definitiva construção (3ª reedificação), abordaremos alguns relatórios da Presidência da Província do Rio de janeiro tratando da necessidade de reedificação da Matriz de N. S. da Piedade de Iguassu.


Relatórios da Presidência da Província do Rio de janeiro



1839


Relatório do presidente Paulino José Soares de Souza (Visconde de Uruguai em 1854) propondo a reconstrução da nova matriz sobre as ruínas da anterior. Consta a informação de que até esta data a torre ainda não havia sido construída.


1853


Relatório do presidente Luiz Pedreira do Couto Ferraz (Visconde do Bom Retiro) recomendando a construção de uma nova matriz, agora mais próxima da povoação, transferindo-se a sede da freguesia para o centro da Vila de Iguassu, uma vez que a matriz encontrava-se “...arruinada e não ter sido concluída...”


1857


Relatório da Presidência da Província nomeando uma comissão para angariar recursos com vistas à construção da nova Matriz da Piedade no centro da vila, “...visto como a matriz atual, além de se achar em quase completo estado de ruína, é situada em um lugar ermo e fora da povoação...”

Ainda em 1857, segundo Ribeiro, “...o relatório do vice-presidente informava que já havia sido adiantada uma quantia para reforma da Matriz de ‘Iguassu’ e seu novo cemitério ” .


1858


O Relatório da Presidência da Província desse ano menciona o início da construção da nova matriz. Esta, sim, representou a 4ª e definitiva construção (3ª reedificação), sendo que no mesmo local onde foram construídas as duas anteriores, ou seja, onde atualmente encontra-se a torre sineira.

Tendo por base suas amplas pesquisas que resultaram na excelente obra “Uma viagem a Iguassu através da cartografia”, Edson Ribeiro acredita que a 4ª e definitiva construção da igreja (3ª reedificação) tenha ocorrido em 1858. E por coincidência, no mesmo ano em que era inaugurada a Estrada de Ferro Dom Pedro II. As obras podem ter iniciado em 1856.

1888

No ano em que se daria a Abolição da Escravatura, seriam liberados recursos para reforma da Matriz de Iguassu. Ribeiro acredita que essa tenha sido a última intervenção na igreja, dando-lhe “...as formas que vemos nas fotos tiradas no início do século XX” .

Algumas considerações acerca do Sítio Histórico da antiga Freguesia de N. S. da Piedade de Iguassu

1. Monsenhor Pizarro, nas suas “Visitas Pastorais”, de 1794, nos informa que havia ao redor da Matriz da Piedade de Iguassu “31 casas térreas, 1 de sobrado (residência do vigário) e 1 com meio sobrado no sótão”, formando uma praça. Além disso, ele menciona que “...todas, à excessão de 3, são cobertas de telhas, e fazem perspectivas de um bonito arraial” .

2. A proposta de elaborarmos em parceria com o Instituto de Arqueologia Brasileira – IAB/Capão do Bispo um projeto de sondagem, prospecção e salvamento arqueológicos desse sítio histórico, tem como objetivos a descoberta e evidenciação do local exato onde fora edificada a capela primitiva da Piedade de Iguassu, além de identificarmos as sucessivas reconstruções da matriz e a dita praça com suas casas, mencionadas por Pizarro.

3. Outro fato que nos deixa intrigados e curiosos é o cemitério da Vila de Iguassu, dito “N. S. do Rosário”, que data de 1875. Antes os enterramentos da freguesia eram feitos na Igreja Matriz? Há uma pequena informação extraída das “Visitas Pastorais”, de Monsenhor Pizarro, que dá a entender que as irmandades seriam responsáveis pela maioria das sepulturas no seu interior, assim como era de costume durante todo o período colonial a inumação dentro das igrejas, conforme nos explica Rodrigues:

“As práticas de sepultamento eclesiástico foram trazidas e


instituídas nas terras brasileiras pelo colonizador, sendo


adotadas pela maioria da população até meados do século


XIX. Estiveram vinculadas à prática, cristã e ocidental,


cuja base era a familiaridade existente entre os vivos e seus


mortos, expressa na inumação no interior da comunidade,


mais propriamente dentro do espaço das igrejas. Esta


familiaridade assentava-se numa relação de vizinhança


cotidiana entre os habitantes e as sepulturas. Ao


freqüentarem as igrejas, pisavam, caminhavam, sentavam e


oravam sobre seus mortos, a todo o tempo sentindo seus


odores, expressando uma determinada sensibilidade olfativa


resultante da fé existente na sacralidade dos sepultamentos


eclesiásticos” .


Ruínas do cemitério e torre sineira - acervo Amigos do Patrimônio Cultural – setembro, 2010

Analisando a história da capela, e depois Matriz da Piedade, mesmo que com pouquíssimas informações, dá a entender que a mesma atravessou longos períodos aguardando por reparos ou reedificação. Como realizaram sepultamentos ao longo dos anos levando-se em conta a precária situação física da igreja? Acreditamos que tenha existido um cemitério para atender sua população, bem antes da construção do que hoje encontra-se em ruínas em Iguaçu Velha. Seguindo esta linha de raciocínio, Ribeiro traz ao nosso conhecimento que o Relatório da Vice Presidência da Província, de 1855, “...informava que já havia sido adiantada uma quantia para reforma da Matriz de ‘Iguassu’ e seu novo cemitério ” . Essa informação reforça nossa hipótese da existência de um cemitério anterior ao atual em ruínas. Seu local pode ter sido atrás da matriz ou no mesmo lugar do arruinado – N. S. do Rosário (1875). O “novo cemitério”, mencionado no Relatório de 1855, pode ser este.

4. Monsenhor Pizarro informa que a pia batismal da igreja fora feita de pedra na própria freguesia.

5. A Igreja de N. S. da Piedade de Iguassu fora edificada com frente para SSE e fundos para WNW.

6. Não sabemos em que ano a torre foi construída.

7. Com relação ao livro de Max Vasconcelos – “Vias Brasileiras de Comunicação” -, publicado pela primeira vez em 1927, traz na sua edição de 1947 (a 6ª e última) a informação de que da igreja só restava a torre sineira . Ribeiro conclui que as fotografias da igreja mostrando-a ainda de pé, mas em processo de arruinamento, devem ser anteriores ao ano de 1947. Quem é o autor das fotos? Onde estão os originais?

8. A população da Vila de Iguassu por volta de 1840 – cerca de 1.200 habitantes, segundo Daniel Kidder, citado por Rodrigues.

9. A população da Vila de Iguassu em 1858 – cerca de 2 mil habitantes, segundo Charles Ribeyrolles, citado por Rodrigues.

10. Ribeiro acredita que o “desaparecimento” de Iguassu deve-se à epidemia de Cólera, além da construção da E. F. Grão Pará (Barão de Mauá) em 1854 e de outros caminhos utilizado para escoar a produção da região de Serra Acima.

Torre sineira da Igreja de N. S. da Piedade do Iguassu-acervo do autor
 
NOTAS
 
[1] O grifo é nosso.

[2] Visitas Pastorais de monsenhor Pizarro, de 1794, PP. 49, 50. Apud. RIBEIRO, Edson. Uma Viagem a Iguassu através da cartografia. Duque de Caxias: Edição do autor, 2010, p. 92.

[3] Visitas Pastorais de monsenhor Pizarro, de 1794, PP. 49, 50. Apud. RIBEIRO, Edson. Uma Viagem a Iguassu através da cartografia. Duque de Caxias: Edição do autor, 2010, p. 93.
 
[4] Relatório do presidente da Província do Rio de Janeiro Luiz Pedreira do Couto Ferraz, 1853,p. 30. Apud. RIBEIRO, Edson. Uma Viagem a Iguassu através da cartografia. Duque de Caxias: Edição do autor, 2010, p. 94.

[5] Relatório da Presidência da Província do Rio de Janeiro de 1857,p. 84. Apud RIBEIRO, Edson. Uma Viagem a Iguassu através da cartografia. Duque de Caxias: Edição do autor, 2010, p. 95.

[6] O grifo é nosso.

[7] RIBEIRO, Edson. Uma Viagem a Iguassu através da cartografia. Duque de Caxias: Edição do autor, 2010, p. 95.

[8] RIBEIRO, Edson. Uma Viagem a Iguassu através da cartografia. Duque de Caxias: Edição do autor, 2010, p. 96.
 
[9] PIZARRO, Monsenhor. Visitas Pastorais de 1794. Apud. RIBEIRO, Edson. Uma Viagem a Iguassu através da cartografia. Duque de Caxias: Edição do autor, 2010, p. 93.

[10] Na Freguesia de N. S. da Piedade de Iguassu, segundo Monsenhor Pizarro, existiram quatro irmandades: do Santíssimo Sacramento (1751), de São Miguel (1757), de N. S. do Rosário dos Pretos (1730) e de N. S. da Conceição dos Homens Pardos (1782).

[11] RODRIGUES, Cláudia. Lugares dos mortos na cidade dos vivos: tradições e transformações fúnebres no Rio de Janeiro. Rio de Janeiro: Secretaria Municipal de Cultura (Coleção Biblioteca Carioca,v. 43),1997, p. 21.

[12] O grifo é nosso.

[13] RIBEIRO, Edson. Uma Viagem a Iguassu através da cartografia. Duque de Caxias: Edição do autor, 2010, p. 95.

[14] Idem, p. 96.